Igreja Adventista, Austrália, Fé em ação, Pacífico Sul

Unidos na Grande Comissão

É maravilhoso falar sobre algo tão próximo dos nossos corações: a missão da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Quando falamos da nossa Igreja, pensamos frequentemente em espalhar as boas novas, partilhar as nossas crenças e aguardar com expetativa o regresso de Jesus. No entanto, tem havido a perceção de que o trabalho da Agência Adventista de Desenvolvimento e Assistência (ADRA) e a missão da Igreja estão separados, com a ADRA a concentrar-se no trabalho humanitário e a Igreja no evangelismo. Isso pode levar a trabalhar de forma independente, perdendo todo o poder do chamado de Deus. A verdade é que existe apenas um evangelho, um Corpo, um Senhor, uma fé, e tanto a ADRA como a Igreja devem contribuir para esta missão única e completá-la em conjunto (ver Efésios 4:4-13). Sem o trabalho da ADRA, a missão da Igreja careceria de uma dimensão vital. Não se trata apenas de caridade; trata-se de cumprir o ’evangelho integral e a grande comissão“ fundamentais para os adventistas.

A Grande Comissão: Mais do que apenas ir e pregar

A nossa compreensão da “Grande Comissão” começa frequentemente com Mateus 28:18-20: “Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado. E eu estarei sempre convosco, até ao fim dos tempos”.” 

Esta passagem é corretamente considerada o resumo chave da missão para todos os seguidores de Jesus e da Igreja. No entendimento adventista, particularmente com nosso foco em Apocalipse 14:6-12, essa comissão sustenta a proclamação do evangelho eterno. No entanto, essa comissão não é apenas uma declaração de missão futura, mas um resumo de toda a história do evangelho de Jesus - Sua identidade, propósito e razão para vir. Jesus não estava a dar uma nova missão; estava a referir-se ao Seu ministério contínuo de fazer discípulos e de os ensinar a obedecer. A Grande Comissão, portanto, deve ser lida no contexto da história completa de Jesus no evangelho de Mateus, tanto prática como teologicamente.

O ministério prático de Jesus: o fundamento da nossa missão

Para compreendermos plenamente a Grande Comissão, temos de voltar a Mateus 10, onde Jesus deu aos seus 12 discípulos autoridade para uma “corrida de treino”. Ele deu-lhes instruções: “Ide antes às ovelhas perdidas de Israel. Quando fordes, proclamai esta mensagem: O Reino dos Céus está próximo. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. De graça recebestes, de graça dai‘ (Mateus 10,6-8). Os discípulos foram mandatados para curar, dar vida, restaurar, vencer o mal e servir generosamente, fazendo uma diferença profundamente prática ao responder às necessidades físicas. Tratava-se de uma extensão do ministério de Jesus, movido pela compaixão. Jesus destacou as Suas acções práticas quando João Batista questionou a Sua identidade: ’Volta e conta a João o que ouves e vês: Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres” (Mateus 11:4,5). Para Jesus, este enfoque na ajuda e cura dos ’mais pequeninos“, movido pela compaixão, era uma poderosa evidência da Sua Messianidade. Ellen White resume isto como ”o método de Cristo“: 

“Só o método de Cristo dará verdadeiro sucesso em alcançar o povo. O Salvador misturou-se com os homens como alguém que desejava o seu bem. Mostrou Sua simpatia por eles, ministrou às suas necessidades e ganhou sua confiança. Então lhes disse: ‘Segue-Me’. Há necessidade de nos aproximarmos do povo por meio de esforço pessoal. Se menos tempo fosse dado a sermões, e mais tempo fosse gasto no ministério pessoal, ver-se-iam maiores resultados. Os pobres devem ser aliviados, os doentes atendidos, os tristes e os enlutados confortados, os ignorantes instruídos, os inexperientes aconselhados. Devemos chorar com os que choram e alegrar-nos com os que se alegram” (O Ministério da Cura, p143). 

Esta formação prática para a missão equipou os discípulos para a Grande Comissão, sublinhando que proclamar o reino de Deus significa encarná-lo através de actos de compaixão e serviço.

O núcleo ético e teológico: justiça, misericórdia e fidelidade

Para além das acções práticas, a Grande Comissão também se refere aos ensinamentos de Jesus. No centro destes ensinamentos está o Sermão da Montanha (Mateus 5-7), que descreve os valores do Seu reino, incluindo as bênçãos para os pobres, os oprimidos e aqueles que procuram a justiça, praticam a misericórdia e são activos na reconciliação e na construção da paz. Este sermão incita à retidão pessoal, à procura da justiça, ao serviço dos outros e ao amor aos inimigos. 

Jesus condenou os religiosos que negligenciavam estas componentes éticas, repreendendo de forma célebre os fariseus: “Ai de vós, doutores da lei e fariseus, hipócritas! Dais a décima parte das vossas especiarias - hortelã, endro e cominho. Mas negligenciastes as coisas mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade” (Mateus 23,23). Esta afirmação profunda sublinha que, no ensinamento de Jesus - e, de facto, em toda a Bíblia - o cuidado com os pobres e com os que sofrem injustiças era, pelo menos, tão importante como as práticas pessoais de justiça.

Os ensinamentos de Jesus sobre o fim do mundo, em Mateus 24 e 25, iluminam ainda mais a Sua missão. Ele relacionou os sinais da Sua vinda com a forma como os Seus discípulos servem os outros, especialmente os necessitados, revelando que o Seu verdadeiro povo demonstra compaixão pelos ’mais pequeninos“. A sua resposta profunda: ”Em verdade vos digo que tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes“ (Mateus 25,40). Isto significa que ser verdadeiramente ”adventista“ é servir Jesus sob a forma de cuidados práticos para com os mais necessitados nas nossas comunidades e no nosso mundo. Essa compaixão se estende a toda a humanidade, como Ellen White esclarece: ”O Céu olha para nós como “irmãos dos pecadores, bem como dos santos‘, e ’cada ato de bondade feito para elevar uma alma caída, cada ato de misericórdia, é aceite como feito a Ele‘’ (O Desejado de Todas as Nações, p638).

O papel indispensável da ADRA na nossa missão unificada

Entender a Grande Comissão como o ministério holístico e a compaixão de Jesus significa que somos chamados a procurar de forma genuína, prática e intencional o bem das pessoas nas nossas comunidades e em todo o mundo. Ao fazê-lo, não estamos apenas a praticar boas acções - estamos a servir, a honrar e a proclamar Jesus. Isto inclui:

  • Proporcionar a cura
  • Procurar justiça
  • Quebrar as correntes da opressão
  • Fazer a paz

Através destes meios, estamos a “anunciar a boa nova aos pobres”. Convidar as pessoas a tornarem-se discípulos de Jesus é um convite para se juntarem a esta “comissão maior”, iniciando-as neste “reino transcendente” e ensinando-lhes a “ética do povo de Deus”. 

Esta compreensão profunda leva a uma conclusão inegável: “A missão da ADRA é a missão da Igreja; a missão da Igreja é a missão da ADRA - e esta única missão é a missão de Jesus. Esta é a nossa maior missão”.” 

Embora a ADRA e a Igreja possam cumprir esta missão de formas diferentes e utilizando uma variedade de métodos, o seu objetivo fundamental é unificado. A ADRA não é uma entidade separada que faz algo “diferente” da missão da Igreja. Pelo contrário, é um braço essencial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, proporcionando uma dimensão crucial e prática aos nossos esforços colectivos para cumprir a Grande Comissão. Ela incorpora a própria compaixão e o ministério prático que Jesus demonstrou e ordenou, tornando-a uma parte indispensável do nosso alcance do “evangelho integral”. 

Por conseguinte, devemos reconhecer a ADRA não como um “complemento” ou uma instituição de beneficência separada, mas como parte integrante, vital e indispensável da missão unificada da Igreja Adventista do Sétimo Dia de servir, honrar e proclamar Jesus a um mundo necessitado, tanto física como espiritualmente. Ao apoiar a ADRA, participamos ativamente no coração da Grande Comissão, tal como Jesus pretendia.


Autor: Denison Grellman, Diretor Executivo da ADRA Austrália
Escrito com a assistência de Nathan Browne, Signs Publishing
Ligação original: https://record.adventistchurch.com/2025/10/01/united-in-the-great-commission/ 

Partilhar este artigo

Sobre a ADRA

A Agência Adventista de Desenvolvimento e Assistência é o braço humanitário internacional da Igreja Adventista do Sétimo Dia, servindo em 118 países. O seu trabalho fortalece as comunidades e muda vidas em todo o mundo, proporcionando desenvolvimento comunitário sustentável e ajuda em caso de catástrofe. O objetivo da ADRA é servir a humanidade para que todos possam viver como Deus pretende.

Fique a par de tudo!

Inscreva-se nos e-mails da ADRA para receber actualizações sobre os nossos actuais esforços de ajuda, oportunidades de envolvimento e muito mais.