Não sobrou ninguém

Neste artigo...

Por ADRA International
Publicado a 9 de fevereiro de 2015

«No One Left»: Nos bastidores com Sanjay

O festival parece ser como qualquer outro — palhaços, balões, caras pintadas e sorrisos largos. Há música e dança. Há jogos e atividades. Há mães e crianças.
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Este menino está entusiasmado por ver a mãe na prisão. Os palhaços e os balões tornaram o dia ainda mais especial para ele.

Além disso, há guardas armados. Guardas a sério. Armas a sério.

Este festival, que parece ser como qualquer outro, tem uma diferença significativa: realiza-se dentro das paredes de uma prisão de mulheres.

Quando a União Soviética entrou em colapso, a estabilidade da Moldávia desmoronou-se com ela, provocando uma recessão económica e um aumento do desemprego e da criminalidade. Ao longo de todo esse período, foram as crianças que mais sofreram. Muitas crianças, algumas ainda em idade pré-escolar, foram abandonadas. Tiveram de lutar pela sobrevivência de todas as formas possíveis, vivendo frequentemente nas ruas e dormindo em becos.
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As crianças do Centro Infantil “Rainbow of Hope” posam com a equipa de filmagem após as filmagens de «A Closer Walk».”

Para estas crianças, a ADRA proporciona um lar cheio de amor, segurança e três refeições equilibradas por dia. Mas, para as inúmeras outras cujas mães se encontram detidas, um lar nem sempre é suficiente.  Muitas destas crianças têm até familiares que cuidam delas, ou amigos da família que as acolhem como se fossem suas, mas crescer sem o amor e o carinho de uma mãe é uma perda difícil e solitária da infância.

E assim, a ADRA organizou um festival, porque nenhuma criança deveria ter de abraçar a mãe numa sala de visitas sombria. Com a ajuda de alguns guardas e de um grupo de voluntários entusiasmados, o festival tornou-se realmente um festival, um verdadeiro festival repleto de diversão e jogos.

Está na hora. Enchem o autocarro, põem a música a tocar.
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Um palhaço anima um jogo com as crianças que vieram visitar as suas mães na prisão.

Enquanto a música incrivelmente cativante “Alouette gentille alouette” ressoa pelos altifalantes, as crianças descem apressadamente os degraus do autocarro e correm para os braços das suas mães. Ouvem-se gritos de alegria, gargalhadas e lágrimas que correm com aquele tipo de felicidade que, atrás das grades, acabamos por esquecer.

Até os guardas estão a sorrir.

Apesar das paredes, das grades e das armas, este festival é mesmo como qualquer outro. Há palhaços, balões e caras pintadas, e por todo o lado vêem-se dedinhos entrelaçados com dedos grandes, e quase se consegue sentir os corações destas mulheres encarceradas a rebentar de alegria, nem que seja só pelos sorrisos que iluminam o pátio.

*Publicado pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Assistência Humanitária (ADRA), o braço humanitário da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Saiba mais sobre a ADRA.

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