A história de Lokol: “O Dilúvio Destruiu Tudo”

Uma catástrofe não precisa de fazer manchetes para devastar as vidas no seu caminho. As pessoas que vivem na pobreza são mais afectadas e precisam de apoio urgente.

Apresento-vos o Lokol.

Lokol Nachida and one of her children

Lokol lembra-se de como o seu marido ficou feliz quando as chuvas começaram.

Após três anos de seca, esta chuva ajudaria a alimentar as suas 200 cabras e permitiria a Lokol plantar uma pequena horta.

“Éramos muito pobres”, diz Lokol. “Começámos com apenas algumas cabras logo depois de casarmos. O meu marido conseguiu aumentar imenso o nosso rebanho ao longo dos anos.”

Estas cabras eram tudo para Lokol e a sua família. Mais do que um simples rendimento, o rebanho serviria como dote de casamento para uma das quatro filhas da família. O marido de Lokol estava a trabalhar arduamente para
aumentar a manada para poder dar o mesmo às suas outras filhas.

A chuva ia ajudar a melhorar tudo.

Quando as gotas começaram a cair, o marido de Lokol deixou as cabras a pastar junto ao rio, o único sítio com erva num raio de quilómetros, e regressou a casa para jantar, a sua primeira e única refeição do dia. Era um homem feliz.

Mas quando a chuva começou a cair com mais intensidade, o marido de Lokol ficou preocupado e voltou ao rio com mais alguns homens para ver como estavam as cabras. Nunca mais regressou.

Na manhã seguinte, toda a aldeia foi à procura do marido de Lokol e dos outros homens, mas encontrou a devastação. A chuva intensa tinha provocado inundações repentinas ao longo do rio, outrora seco. A inundação não só tinha tirado a vida ao marido de Lokol, como também tinha matado todas as 200 cabras da família.

“A inundação destruiu tudo o que eu tinha. Toda a minha vida foi destruída numa questão de minutos. Não sei o que fazer; estou sem esperança”.”

Sem mais nem menos, uma catástrofe que nem sequer fez manchete no sítio onde vivemos fez com que Lokol ficasse viúva sem poder sustentar as suas filhas. Infelizmente, as catástrofes afectam mais as pessoas como Lokol. A pobreza multiplica os seus efeitos, muitas vezes com consequências devastadoras.