Etiópia: A Ambulância de Bicicleta

No dia a seguir ao Natal, na pequena comunidade de Dedere, Paula entrou em trabalho de parto. Com apenas 17 anos, Paula nunca tinha tido um bebé, por isso, quando passou o segundo dia sem progressos, começou a preocupar-se. Ao quarto dia de dores intensas, Paula começou a entrar em pânico. A clínica mais próxima ficava a mais de 24 quilómetros de distância e a comunidade rural não tinha meios de transporte. A família revezava-se a consolá-la e a rezar, mas pouco mais havia a fazer.

No final do quarto dia, alguém recordou a história de uma mulher grávida que tinha sido levada para a clínica vários meses antes. Também ela estava a ter dificuldades no parto quando uma ambulância de bicicleta chegou e a levou para a clínica. Inspirada, a família saiu a correr de casa e começou a bater às portas, perguntando a todas as pessoas que encontravam se sabiam da ambulância de bicicleta. Alguém os encaminhou para a casa de um membro do Conselho de Saúde da ADRA, a poucos quilómetros de distância. Correram para a casa e a bicicleta foi imediatamente entregue aos seus cuidados.

De volta a casa, Paula foi transportada para a ambulância que a esperava, uma cama coberta presa à parte de trás de uma bicicleta. Em menos de duas horas, Paula estava em segurança numa cama de hospital e, em menos de uma hora após a chegada, deu à luz um menino saudável.

Quando a maioria das pessoas pensa numa ambulância, imagina as luzes intermitentes, a sirene estridente e as altas velocidades. Mas em muitas partes do mundo, ela é tão simples como uma bicicleta. E, embora possa não ter o equipamento médico e a tecnologia vistosa, não é menos capaz de salvar vidas.

Graças a essa ambulância de bicicleta, mais de 20 mulheres deram à luz os seus bebés em segurança. Os membros da comunidade estão tão orgulhosos da ambulância que todos contribuem com dinheiro para a sua manutenção. Agora toda a gente tem acesso ao hospital, que fica a uma curta distância.