SILVER SPRING, MD (25 de julho de 2019)– A ADRA tem vindo a trabalhar na República Democrática do Congo (RDC) desde 1984. Desde então, a equipa já interveio dez vezes em resposta à doença causada pelo vírus Ébola que assolou o país. O surto mais recente, que teve início em agosto de 2018, foi, segundo relatos, o mais prolongado e o segundo maior a atingir o país.
A ADRA tem vindo a prestar apoio através de água potável, saneamento e melhores práticas de higiene. Os segmentos mais vulneráveis da população, que enfrentam necessidades prementes durante a epidemia, são as crianças e as mulheres, a quem a ADRA se tem empenhado em ajudar.
Panorâmica da crise
Prevê-se que, em agosto de 2019, a OMS declare que a epidemia de Ébola, a menos que seja contida, terá durado um ano desde o tratamento do primeiro caso.
A Organização Mundial de Saúde (OMS), uma agência especializada das Nações Unidas que se dedica à saúde pública internacional, declarou oficialmente que a epidemia de Ébola na RDC se tinha tornado uma crise sanitária global e que era necessária ajuda humanitária adicional para conter o vírus.
Desde o início do surto, registaram-se mais de 1 700 mortes confirmadas, mais de 2 500 pessoas infetadas e 17 000 pessoas que poderão ter estado em contacto com o vírus.
As vacinas, segundo a OMS, ajudam a minimizar a propagação ou a exposição à doença, mas, devido ao conflito em curso e à resistência da comunidade — em parte devido à pobreza, à desinformação, às práticas culturais e à marginalização —, o surto tem representado um desafio para os profissionais da linha da frente na sua contenção.
No total, mais de 1 000 pessoas em Goma foram vacinadas e, desde agosto de 2018, mais de 163 000 pessoas em toda a RDC foram vacinadas.
Na província de Ituri, mais de 300 000 pessoas terão sido deslocadas internamente, o que significa que crianças, mães e pais foram forçados a fugir das suas casas devido ao conflito, mas permanecem dentro das fronteiras do seu país. Isto dificulta o trabalho dos profissionais humanitários na localização das pessoas que se encontram em quarentena. Tem havido também relatos de confrontos entre forças rebeldes armadas e as autoridades locais e unidades de saúde que procuram prestar ajuda aos necessitados.
A resposta da ADRA ao Ébola
A ADRA na RDC tem delegações em 17 províncias de todo o país — pelo menos seis no Kivu do Norte e em Ituri — e está atualmente a colaborar com outras organizações humanitárias e autoridades locais para implementar um programa de «alimento por trabalho», com o objetivo de ajudar as comunidades mais afetadas pela epidemia.
“A nossa principal prioridade é colaborar com os líderes comunitários para nos ajudarem a criar confiança e a estabelecer laços com as comunidades. Queremos colmatar quaisquer lacunas na prestação de cuidados, para que possamos oferecer assistência humanitária”, afirma Mario Oliveira, diretor de resposta a emergências da ADRA.
Atualmente, a ADRA desenvolveu um programa de alimentação infantil com o apoio da UNICEF para atuar nas zonas de cuidados de saúde de Katwa, Butembo, Beni, Mabalako e Oicha, na província do Kivu do Norte.
“O principal objetivo desta resposta de emergência é reduzir o risco de desnutrição entre as crianças com 26 meses ou menos e as mulheres grávidas e lactantes afetadas pela doença do vírus Ébola”, afirma Oliveira.
Segundo a ADRA na RDC, o projeto incluiria:
· a criação de espaços dedicados à amamentação nos centros de tratamento e nos centros de saúde para crianças com dois anos de idade ou menos que não possam ser amamentadas, caso a mãe adoeça e seja hospitalizada,
· aquisição dos artigos necessários para a amamentação de bebés,
· formação de assistentes psicossociais e de nutrição, incluindo o pessoal da ADRA, sobre a alimentação de emergência de bebés e crianças pequenas,
· formar enfermeiros licenciados para que transmitam aos doentes, nas respetivas zonas de saúde, informações sobre o controlo de infeções e métodos de prevenção.
· e sensibilizar as comunidades para os fatores de risco e as medidas de prevenção do vírus Ébola.
Graças aos seus esforços, a ADRA já chegou, até à data, a mais de 170 000 beneficiários através de atividades de prevenção, WASH e mobilização comunitária. Oliveira considera que é necessário fazer mais para conter o vírus.
“O surto de Ébola acabará por ser contido, mas esperemos que isso aconteça em breve, antes que a situação piore muito e que a doença não se espalhe para além das fronteiras”, afirma Oliveira.
A ADRA está a estabelecer contactos e a coordenar-se com os parceiros no terreno para identificar novas oportunidades de ajudar a combater a propagação da doença.
Fonte da imagem: A fotografia foi tirada durante o surto de Ébola de 2014 e 2015 na África Ocidental e mostra o pessoal da ADRA a desinfetar ambulâncias e artigos domésticos de doentes com Ébola.
SOBRE A ADRA
A Agência Adventista de Desenvolvimento e Assistência é o braço humanitário da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O seu trabalho fortalece as comunidades e muda vidas em todo o mundo, proporcionando desenvolvimento comunitário sustentável e ajuda em caso de catástrofe. Para mais informações, visite ADRA.org.