
Samuel Onang'o, deficiente, pai de três filhos, vive com a sua família em Kibera, no Quénia.
Já passaram mais de três meses e Samuel teve de aprender a sobreviver sozinho na sua casa de uma divisão e com paredes de lata. À medida que o coronavírus continua a espalhar-se pelo país, os confinamentos e o encerramento de escolas e empresas têm causado perturbações incomensuráveis. As pessoas com deficiência já viviam num mundo de isolamento, mas os efeitos da pandemia agravaram ainda mais o seu isolamento.
Samuel, que é sapateiro, foi especialmente afetado pelo isolamento forçado e pelo encerramento de empresas. A perda maciça de empregos para as pessoas que vivem em Kibera provocou uma mudança na economia e agora as famílias preferem gastar o pouco dinheiro que têm em alimentos e outros bens essenciais.
“Antes da pandemia, eu ganhava até $10 por dia. Isto era suficiente para a manutenção da minha família e para as propinas dos meus filhos. Agora, num dia bom, mal ganho $2. Ontem, ganhei apenas 10 cêntimos”, conta Samuel.
Para ajudar a travar a propagação da COVID-19, o governo obrigou todos os proprietários de pequenas empresas a instalarem estações de lavagem de mãos nas suas instalações. Isto representou outro desafio para Samuel.
“Devido à escassez de água que há muito tempo se regista aqui em Kibera, temos de comprar água. Por vezes, nem sequer tenho água suficiente para o meu uso pessoal, mas se não tiver água para a minha estação de lavagem das mãos no trabalho, posso ser preso”, explica Samuel.
Cinco galões de água custam 20 cêntimos na bomba de água, mas devido à sua cadeira de rodas, Samuel não consegue chegar à bomba de água nem transportar a água de volta. Uma tarefa que, normalmente, seria efectuada pela mulher ou por um dos filhos sem qualquer problema, tornou-se agora um enorme obstáculo para Samuel.
“Isto significa que, por cada 5 galões de água, tenho de pagar uma taxa de entrega adicional de 20 cêntimos. E, para além disso, ainda tenho de comprar sabão para a minha estação de lavagem das mãos.”
Felizmente, a ADRA começou a trabalhar na comunidade de Samuel para apoiar as famílias afectadas pela pandemia de COVID-19.
“Ia ter de fechar o meu negócio se a ADRA não viesse em meu auxílio. Deram-me desinfetante para as mãos e sabão normal e antibacteriano. Vou usar o sabão antibacteriano na minha estação de lavagem de mãos no trabalho e o resto vou usar em casa.” Samuel está feliz por poder manter o seu negócio a funcionar.