{"id":6223,"date":"2016-06-08T20:38:51","date_gmt":"2016-06-08T20:38:51","guid":{"rendered":"https:\/\/adra.org\/?p=6223"},"modified":"2026-03-26T15:09:06","modified_gmt":"2026-03-26T15:09:06","slug":"greece-respond-help-refugees","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adra.org\/pt\/greece-respond-help-refugees","title":{"rendered":"Gr\u00e9cia: Como a ADRA \u00e9 uma das primeiras ONG a responder e ajudar os refugiados"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28152\" srcset=\"https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-2-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando a Europa come\u00e7ou a fechar as suas fronteiras e os refugiados que entravam na Gr\u00e9cia ficaram retidos, muitos deles reuniram-se em Idomeni. O campo informal era o maior da Gr\u00e9cia, com mais de 10.000 pessoas reunidas na fronteira com a Maced\u00f3nia, na esperan\u00e7a de serem autorizadas a continuar a sua viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Num campo n\u00e3o oficial, n\u00e3o havia assist\u00eancia governamental para servi\u00e7os no campo, e os refugiados dependiam de si pr\u00f3prios ou de organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, como a ADRA, que ofereciam assist\u00eancia no campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Samir, tradutor s\u00e9rvio-s\u00edrio, viajou para a Gr\u00e9cia pouco depois do aparecimento de Idomeni. Diz que as condi\u00e7\u00f5es melhoraram muito no campo, mas que, quando chegou, a situa\u00e7\u00e3o era muito m\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cParecia um filme de terror\u201d, conta. \u201cAs pessoas estavam mesmo a morrer \u00e0 fome. N\u00e3o havia alimentos a serem distribu\u00eddos no campo. A ADRA foi uma das primeiras ONG a chegar ao local. T\u00ednhamos um cami\u00e3o e quando as pessoas nos viram correram atr\u00e1s de n\u00f3s. Quando abr\u00edamos a porta, pediam-nos: \u2018Por favor, d\u00eaem-nos alguma coisa, temos fome\u2019. Havia um armaz\u00e9m com todo o tipo de materiais doados por pessoas de toda a Europa, pelo que a ADRA ajudou a distribuir artigos \u00e0s pessoas mais necessitadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOutro problema foi a chuva e o frio. Vi um homem, a tremer, s\u00f3 com mangas curtas. Tirei o meu casaco e dei-lho\u201d.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio \u00e9 muito diferente quando visitamos Idomeni um m\u00eas mais tarde. Quando sa\u00edmos da carrinha, somos recebidos com abra\u00e7os e sorrisos por crian\u00e7as. Depois de nos cumprimentarem, voltam para um grande grupo de crian\u00e7as reunidas \u00e0 volta de um leitor de CD. Uma jovem conduz as crian\u00e7as atrav\u00e9s das ac\u00e7\u00f5es de can\u00e7\u00f5es muito apreciadas, como \u2018The wheels on the bus\u2019 e \u2018If you're happy and you know it\u2019, que soam nos altifalantes. \u00c9 a primeira atividade organizada que vejo nos campos, e as crian\u00e7as parecem estar a gostar da divers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Idomeni, as tendas est\u00e3o espalhadas por todo o lado, incluindo na linha do comboio. \u00c9 aqui que encontramos Faaria. Est\u00e1 a viajar com a irm\u00e3, os maridos e os filhos. Tem tr\u00eas filhos - dois rapazes e uma rapariga. Tamb\u00e9m est\u00e1 gr\u00e1vida, mas n\u00e3o sabe de quantos meses. H\u00e1 m\u00e9dicos no campo, mas ela n\u00e3o tem acesso a equipamento como uma m\u00e1quina de ultra-sons. O hospital s\u00f3 trata pessoas numa situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. As m\u00e3es s\u00e3o admitidas em trabalho de parto, mas se estiverem suficientemente saud\u00e1veis t\u00eam de regressar ao campo com os beb\u00e9s no dia seguinte. A irm\u00e3 dela tamb\u00e9m estava gr\u00e1vida e teve o beb\u00e9 h\u00e1 cinco dias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28161\" srcset=\"https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/greece-1-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Perguntamos-lhe sobre a sua vida na S\u00edria antes da guerra. O seu rosto ilumina-se. \u201cEra linda! Era perfeito!\u201d, diz ela em ingl\u00eas. \u201cDepois da guerra... oof\u201d.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Faaria e a sua fam\u00edlia deixaram a S\u00edria h\u00e1 55 dias. \u201cA viagem foi cansativa, muito dif\u00edcil. Podem imaginar\u201d, diz ela. \u201cFizemos um plano com um contrabandista para nos levar de carro at\u00e9 \u00e0 fronteira turca. Partimos antes do amanhecer. Quando cheg\u00e1mos \u00e0 fronteira, tivemos de esperar muito tempo. A pol\u00edcia turca n\u00e3o nos queria deixar entrar na Turquia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDurante a noite, um contrabandista veio e levou-nos. Tivemos de passar por cima de uma barreira alta e saltar para o outro lado. Havia muita pol\u00edcia na fronteira. Se nos apanham, batem-nos, por isso temos de correr muito depressa. \u00c9 assim a vida de um refugiado. N\u00e3o \u00e9 nada agrad\u00e1vel. Mas se n\u00e3o sa\u00edres por ali, n\u00e3o vais conseguir sair\u201d.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A sua fam\u00edlia foi das primeiras a chegar a Idomeni. Quando chegaram, nem sequer havia tendas. As condi\u00e7\u00f5es eram m\u00e1s e as pessoas estavam t\u00e3o deprimidas que ela diz que algumas pessoas se suicidaram pegando fogo a si pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela est\u00e1 muito preocupada com cobras e j\u00e1 viu uma muito perto da sua tenda. Naquela noite, teve pesadelos com cobras e n\u00e3o conseguia deixar de sentir que havia uma a rastejar na sua perna. Conhece o caso de uma mulher que encontrou uma cobra na sua tenda. Felizmente, n\u00e3o teve nenhuma cobra na tenda da sua fam\u00edlia, embora tenham encontrado um escorpi\u00e3o l\u00e1 dentro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela diz que se as pessoas os querem ajudar, que os ajudem a seguir em frente. Tudo o que ela quer \u00e9 seguran\u00e7a para os seus filhos, nada mais. J\u00e1 perdeu dois filhos - g\u00e9meos de um ano que foram mortos no bombardeamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe s\u00e3o humanos, t\u00eam de nos ajudar a completar a nossa viagem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos carris, passamos ao lado de um velho comboio onde vivem alguns refugiados. Duas jovens irm\u00e3s saem e querem brincar connosco. Ficam encantadas por lhes pegarem e pegarem ao colo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao aproximarmo-nos da fronteira com a Maced\u00f3nia, conhecemos Abdul, que \u00e9 natural da S\u00edria. \u201cEra t\u00e3o simples\u201d, diz ele sobre a vida antes da guerra. \u201cEra como um para\u00edso\u201d. Mas depois os militantes do Estado Isl\u00e2mico chegaram \u00e0 sua cidade. Ele \u00e9 professor e o ISIS queria que ele leccionasse nas suas escolas. Ele recusou. Fugiu da S\u00edria com a prima, que est\u00e1 gr\u00e1vida e j\u00e1 \u00e9 m\u00e3e de tr\u00eas filhos pequenos. Abdul disse que os militantes do Estado Isl\u00e2mico estavam a levar crian\u00e7as e a fazer-lhes uma lavagem cerebral e que n\u00e3o queriam que isso acontecesse com os filhos da sua prima.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a vida de refugiado foi mais dif\u00edcil do que esperavam. Tiveram de deitar ao mar a maior parte dos seus pertences quando atravessaram o Mediterr\u00e2neo de barco, pelo que precisam de roupa. Sofrem de problemas de pele como a sarna. O abrigo n\u00e3o \u00e9 bom. A comida n\u00e3o \u00e9 suficiente. As crian\u00e7as t\u00eam peso a menos. Abdul diz tamb\u00e9m que n\u00e3o h\u00e1 considera\u00e7\u00e3o pelas pessoas com necessidades especiais, como as mulheres gr\u00e1vidas e as crian\u00e7as. Descreve as condi\u00e7\u00f5es do campo como \u201cmuito, muito, muito, muito, muito, muito m\u00e1s\u201d. Diz que prefere dormir com as vacas no campo, na S\u00edria, do que continuar a viver neste campo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando sa\u00edmos da S\u00edria est\u00e1vamos muito deprimidos. Quando cheg\u00e1mos \u00e0 Turquia sentimo-nos aliviados e at\u00e9 felizes quando cheg\u00e1mos \u00e0 Gr\u00e9cia. Agora preferia morrer debaixo dos bombardeamentos do que estar aqui\u201d.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A ADRA conseguiu fornecer alguns artigos essenciais \u00e0 fam\u00edlia de Abdul. O al\u00edvio que sentiram ao verem satisfeita, por enquanto, uma pequena necessidade, foi \u00f3bvio.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de deixarmos o campo, passamos algum tempo com alguns irm\u00e3os. Um deles era barbeiro na S\u00edria e est\u00e1 a cortar o cabelo aos seus irm\u00e3os. Trouxe as suas m\u00e1quinas de cortar cabelo da S\u00edria, mas j\u00e1 n\u00e3o funcionam t\u00e3o bem. Pergunta-nos se podemos arranjar-lhe umas novas.<\/p>\n\n\n\n<p>ONG como a ADRA est\u00e3o a trabalhar em v\u00e1rios campos na Gr\u00e9cia, fazendo o seu melhor para satisfazer as necessidades b\u00e1sicas dos refugiados. Mas no meio de tanta necessidade, \u00e9 f\u00e1cil esquecer o valor dos objectos de conforto, especialmente aqueles que podem restaurar uma sensa\u00e7\u00e3o de normalidade no meio de uma grande perturba\u00e7\u00e3o. Para este homem, ele s\u00f3 queria uma m\u00e1quina de cortar cabelo nova para poder continuar a cortar o cabelo dos seus irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Os nomes foram alterados para proteger as identidades<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>When Europe started closing its borders and refugees entering Greece became stranded, many of them congregated in Idomeni. <\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":28150,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","footnotes":""},"categories":[615,590,799,609,923,784,812],"tags":[8,1173,1154,355],"class_list":["post-6223","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","category-emergency","category-europe","category-food-assistance","category-greece","category-middle-east-north-africa","category-syria","tag-emergency-response","tag-food-distribution","tag-maternal-newborn-child-health-mnch","tag-refugees"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6223"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6223\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":46119,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6223\/revisions\/46119"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28150"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}