{"id":39021,"date":"2025-06-20T14:00:00","date_gmt":"2025-06-20T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/adra.org\/?p=39021"},"modified":"2026-03-10T14:11:11","modified_gmt":"2026-03-10T14:11:11","slug":"standing-with-the-displaced-a-world-refugee-day-reflection-from-adra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adra.org\/pt\/standing-with-the-displaced-a-world-refugee-day-reflection-from-adra","title":{"rendered":"Ao lado dos deslocados: Uma reflex\u00e3o da ADRA sobre o Dia Mundial dos Refugiados"},"content":{"rendered":"<p>Todos os anos, no Dia Mundial do Refugiado, fazemos uma pausa para honrar a coragem e a resili\u00eancia dos refugiados e das pessoas deslocadas em todo o mundo. Para a Ag\u00eancia Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), este dia \u00e9 mais do que simb\u00f3lico - \u00e9 um reflexo da nossa miss\u00e3o. Em todo o mundo, as nossas equipas est\u00e3o ao lado de comunidades desenraizadas por conflitos, crises e clima, oferecendo comida, abrigo, cuidados de sa\u00fade e esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Para assinalar este dia, sent\u00e1mo-nos com Helena Souders, gestora s\u00e9nior de programas da ADRA Internacional, que passou anos a trabalhar diretamente com popula\u00e7\u00f5es deslocadas. As suas palavras recordam-nos que por detr\u00e1s de cada estat\u00edstica h\u00e1 uma hist\u00f3ria - e por detr\u00e1s de cada hist\u00f3ria, uma pessoa que merece dignidade e compaix\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma entrevista com Helena Souders, Gestora S\u00e9nior de Programas da ADRA Internacional<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>P: Pode descrever um momento do seu trabalho com a ADRA que o tenha comovido profundamente ou que tenha mudado a forma como v\u00ea os refugiados e as pessoas deslocadas?<br>&nbsp;<\/strong>R: Conheci uma mulher em Boa Vista, no Brasil, perto da fronteira com a Venezuela. Ela segurava um beb\u00e9 e eu felicitei-a - s\u00f3 para saber que a crian\u00e7a era sua sobrinha. O seu pr\u00f3prio beb\u00e9 tinha morrido apenas dois meses antes, na Venezuela, porque o hospital n\u00e3o tinha eletricidade para alimentar as incubadoras. Aquele momento fez com que a crise dos refugiados se tornasse mais n\u00edtida e pessoal para mim. Aquilo que tomamos por garantido - como a eletricidade e os cuidados de sa\u00fade - pode significar vida ou morte noutro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P: O que \u00e9 que gostaria que mais pessoas compreendessem sobre a experi\u00eancia dos refugiados?<br>&nbsp;<\/strong>R: Que pode acontecer a qualquer um de n\u00f3s. Nada na vida \u00e9 garantido - nem mesmo a estabilidade geopol\u00edtica que muitas vezes tomamos como garantida. Os refugiados s\u00e3o pessoas como n\u00f3s. Querem as mesmas coisas: seguran\u00e7a, um futuro para os seus filhos, comida na mesa e um teto sobre as suas cabe\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P: Como \u00e9 que a ADRA apoia os refugiados nas comunidades com que trabalhou?<br>&nbsp;<\/strong>R: A ADRA responde \u00e0s necessidades pr\u00e1ticas em primeiro lugar - fornecendo servi\u00e7os b\u00e1sicos de sa\u00fade onde os sistemas est\u00e3o sobrecarregados ou inacess\u00edveis, e fornecendo alimentos onde as fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam nenhum. O que torna a ADRA \u00fanica \u00e9 o facto de n\u00e3o nos limitarmos a responder - ficamos e caminhamos ao lado das comunidades com compaix\u00e3o e apoio a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P: Qual foi um dos maiores desafios que enfrentou e como \u00e9 que a ADRA respondeu?<br>&nbsp;<\/strong>R: As crises de refugiados tornam-se frequentemente \u201cemerg\u00eancias prolongadas\u201d. Passam anos, mas a desloca\u00e7\u00e3o continua. Isto cria um cansa\u00e7o nos doadores, tornando dif\u00edcil manter os esfor\u00e7os de ajuda. A ADRA trabalha incansavelmente para manter o apoio e os recursos, mesmo quando a aten\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social se desvanece. \u00c9 a\u00ed que o compromisso e as parcerias a longo prazo s\u00e3o importantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P: Como \u00e9 que a sua f\u00e9 influencia o seu trabalho?<br>&nbsp;<\/strong>R: A minha f\u00e9 sustenta-me. Sem a minha cren\u00e7a num Deus amoroso e eterno, talvez n\u00e3o tivesse tido for\u00e7as para continuar. O trabalho humanit\u00e1rio pode ser pesado - mas Deus d\u00e1-me energia para continuar a falar pelos que n\u00e3o t\u00eam voz e a servir os outros com tudo o que tenho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P: Est\u00e1 em destaque na&nbsp;<\/strong><em><strong>Estranhos entre v\u00f3s<\/strong><\/em><strong>&nbsp;document\u00e1rio. O que \u00e9 que isso significa para si?<br>&nbsp;<\/strong>R: \u00c9 humilhante. O filme convida as pessoas a entrarem numa realidade que podem n\u00e3o compreender - mas que podem vir a enfrentar um dia. Se eu conseguir ajudar as pessoas a cultivar a empatia atrav\u00e9s desta hist\u00f3ria, ent\u00e3o terei feito algo significativo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>P: Que mensagem gostaria de partilhar no Dia Mundial do Refugiado?<br>&nbsp;<\/strong>R: As pessoas s\u00e3o pessoas - em todo o lado. Todos n\u00f3s queremos paz, seguran\u00e7a e alegria para os nossos filhos. Vamos construir um mundo onde ningu\u00e9m se sinta um estranho.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um momento que mudou tudo: a hist\u00f3ria de Helena a partir da fronteira<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 calor, est\u00e1 abafado e o sol est\u00e1 a brilhar por cima de mim. Estou em Boa Vista, no norte do Brasil, perto da fronteira com a Venezuela - uma regi\u00e3o bem no meio da Amaz\u00f3nia. Embora este seja essencialmente um campo de refugiados, as sensibilidades pol\u00edticas impedem-no de ser oficialmente designado como tal. Aqui, o governo brasileiro lan\u00e7ou&nbsp;<em>Opera\u00e7\u00e3o Acolhida<\/em>-Opera\u00e7\u00e3o Acolhimento - para ajudar os migrantes venezuelanos que fogem do colapso econ\u00f3mico e da inseguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito desta opera\u00e7\u00e3o, as fam\u00edlias chegam a grandes tendas onde recebem vacinas, alimentos e apoio burocr\u00e1tico do pessoal da ONU. Quando visitei o pa\u00eds em 2018, os campos tempor\u00e1rios forneciam abrigo b\u00e1sico aos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Num dia particularmente quente, vi uma jovem mulher a segurar um rec\u00e9m-nascido. Sentei-me ao lado dela e dei-lhe os parab\u00e9ns. A sua express\u00e3o mudou instantaneamente - de alegria para tristeza - quando ela explicou gentilmente que a crian\u00e7a era sua sobrinha. O seu pr\u00f3prio beb\u00e9 tinha morrido apenas dois meses antes, na Venezuela. Nascida prematuramente, sua filha precisava de uma incubadora. Mas o hospital n\u00e3o tinha eletricidade. Sem energia. Nenhuma segunda chance.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele momento atingiu-me como nenhum outro nos meus anos com a ADRA. Foi uma recorda\u00e7\u00e3o crua e dolorosa do que significa perder as necessidades mais b\u00e1sicas - coisas que tomamos como garantidas, como eletricidade est\u00e1vel, cuidados m\u00e9dicos e seguran\u00e7a. A Venezuela, outrora um dos pa\u00edses mais pr\u00f3speros do hemisf\u00e9rio, tinha-se tornado num local onde as crian\u00e7as morriam simplesmente porque a luz n\u00e3o se acendia.<\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei ali sentado em sil\u00eancio, abalado. Rezei - por ela, pela sua fam\u00edlia e pela for\u00e7a para continuar a fazer este trabalho. Porque&nbsp;<em>aliviar o sofrimento humano nunca deve ser controverso<\/em>. Deveria ser um chamamento que todos n\u00f3s sent\u00edssemos profundamente, um desejo de oferecer at\u00e9 o mais pequeno ato de compaix\u00e3o \u00e0queles cujos fardos s\u00e3o mais pesados do que os nossos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por este momento que eu sirvo. \u00c9 por isso que trabalho na ADRA. Estou grato por Deus me ter conduzido a uma vida onde posso caminhar ao lado das pessoas nas suas horas mais dif\u00edceis. Na ADRA, estamos empenhados em servir a humanidade para que todos possam viver como Deus pretende - com dignidade, esperan\u00e7a e amor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Strangers-Among-You-Screenshots-19-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39023\" srcset=\"https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Strangers-Among-You-Screenshots-19-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Strangers-Among-You-Screenshots-19-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Strangers-Among-You-Screenshots-19-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Strangers-Among-You-Screenshots-19-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Strangers-Among-You-Screenshots-19-1-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma palavra final sobre o Dia Mundial do Refugiado<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Na ADRA, acreditamos que ningu\u00e9m deve ser esquecido ou n\u00e3o ser visto - especialmente em tempos de crise. Os refugiados n\u00e3o s\u00e3o apenas manchetes. S\u00e3o m\u00e3es, pais, professores, crian\u00e7as e vizinhos. Neste Dia Mundial do Refugiado, convidamo-lo a v\u00ea-los, a ouvir as suas hist\u00f3rias e a estar com eles.<\/p>\n\n\n\n<p>A viagem de Helena Souders \u00e9 uma das muitas apresentadas no novo document\u00e1rio da ADRA,&nbsp;<em>Estranhos entre v\u00f3s<\/em>. Este filme poderoso abrange cinco pa\u00edses, trazendo \u00e0 luz as experi\u00eancias vividas por pessoas deslocadas - e o amor que as encontra l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udc49&nbsp;<a href=\"https:\/\/adra.org\/pt\/StrangersAmongYou\/\"><u>Veja o trailer e saiba mais em ADRA.org\/StrangersAmongYou<\/u><\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os anos, no Dia Mundial do Refugiado, fazemos uma pausa para homenagear a coragem e a resili\u00eancia dos refugiados e das pessoas deslocadas em todo o mundo.<\/p>","protected":false},"author":46,"featured_media":39022,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","footnotes":""},"categories":[614],"tags":[355,419],"class_list":["post-39021","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news","tag-refugees","tag-world-refugee-day"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/46"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39021"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39021\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44969,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39021\/revisions\/44969"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39022"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}