{"id":23625,"date":"2022-04-18T13:25:24","date_gmt":"2022-04-18T13:25:24","guid":{"rendered":"https:\/\/adra.org\/?p=23625"},"modified":"2026-04-16T07:28:04","modified_gmt":"2026-04-16T07:28:04","slug":"a-mothers-decision-to-flee","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adra.org\/pt\/a-mothers-decision-to-flee","title":{"rendered":"A decis\u00e3o de uma m\u00e3e de fugir"},"content":{"rendered":"<p>A ADRA tem a b\u00ean\u00e7\u00e3o de conhecer m\u00e3es fant\u00e1sticas no nosso trabalho todos os dias. Estas s\u00e3o o tipo de m\u00e3es que fariam qualquer coisa, desistiriam de tudo e iriam a qualquer lado pelos seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3es como a Masha e a Glendys.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estas duas mulheres viveram vidas muito diferentes, mas est\u00e3o unidas pelo esfor\u00e7o que fizeram pelas suas fam\u00edlias. Os seus pa\u00edses de origem est\u00e3o no centro de duas das maiores crises humanit\u00e1rias do mundo, Masha na Ucr\u00e2nia e Glendys na Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>O conflito na Ucr\u00e2nia levou bombas \u00e0 comunidade de Masha e soldados armados \u00e0 sua rua. A crise na Venezuela tirou a vida ao primog\u00e9nito de Glendys, uma vez que o pa\u00eds n\u00e3o dispunha dos servi\u00e7os b\u00e1sicos de sa\u00fade de que o pequeno necessitava para sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesses momentos que cada mulher tomou a decis\u00e3o desesperada que milh\u00f5es de pais em todo o mundo tiveram de tomar: desenraizar as suas vidas e deixar tudo para tr\u00e1s em busca de seguran\u00e7a e de uma vida melhor para as suas fam\u00edlias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A fuga de Masha da Ucr\u00e2nia com os seus filhos foi o pior pesadelo de qualquer m\u00e3e.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"461\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Masha-1-461x1024-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28392\" srcset=\"https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Masha-1-461x1024-1.jpg 461w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Masha-1-461x1024-1-135x300.jpg 135w\" sizes=\"(max-width: 461px) 100vw, 461px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Tal como outros homens em idade de combater na Ucr\u00e2nia, o marido n\u00e3o p\u00f4de evacuar o pa\u00eds com eles, pelo que Masha ficou sozinha com os seus dois filhos pequenos. Os soldados ocupantes do seu bairro deram-lhes passagem para partir, mas a \u00fanica forma de o fazerem era a p\u00e9.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e e os filhos seguiram um \u201ccorredor verde\u201d, ou seja, um percurso destinado a garantir a seguran\u00e7a das pessoas que est\u00e3o a ser evacuadas. Infelizmente, a estrada que deveria afast\u00e1-los do perigo colocou-os diretamente no seu caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Masha se deparou com uma ponte partida que se interpunha entre a sua fam\u00edlia e uma zona desocupada onde podiam passar em seguran\u00e7a, pensou que atravess\u00e1-la seria a pior parte da sua viagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto ajudava os seus filhos a atravessar cuidadosamente o que restava da ponte, viu tr\u00eas helic\u00f3pteros militares a aproximarem-se ao longe. Confiando no seu instinto, pegou nos dois filhos ao colo e subiu para a \u00e1gua por baixo da ponte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os helic\u00f3pteros abriram fogo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1gua estava fria e Masha carregou os seus filhos atrav\u00e9s de peda\u00e7os irregulares da ponte partida e de vigas de metal cobertas de lama. Quando finalmente conseguiram atravessar, ela teve de usar todas as suas for\u00e7as para sair da \u00e1gua e subir a margem com os filhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os helic\u00f3pteros pareciam estar a abandonar a \u00e1rea, mas outras pessoas ao longe gritavam \u201cCorram! Corram!\u201d porque sabiam por experi\u00eancia pr\u00f3pria que os helic\u00f3pteros podiam regressar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando chegou a este grupo, estava em territ\u00f3rio seguro e os tr\u00eas conseguiram sair do pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Masha e as crian\u00e7as estavam exaustas e traumatizadas quando a ADRA as serviu no centro para refugiados num pa\u00eds vizinho, mas a sua experi\u00eancia est\u00e1 longe de ter terminado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra n\u00e3o tem prazo de validade, por isso, embora esteja grata pelo facto de os seus filhos estarem agora em seguran\u00e7a, Masha n\u00e3o faz ideia de quando se reunir\u00e1 com o marido ou quando voltar\u00e3o a ver a sua casa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Depois de dois anos longe da Venezuela, Glendys est\u00e1 agora a regressar a casa.&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"375\" height=\"250\" src=\"https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Feature_Glendys-300x200-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-28394\" srcset=\"https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Feature_Glendys-300x200-1.jpg 375w, https:\/\/adra.org\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Feature_Glendys-300x200-1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Empurra o filho de 7 meses num carrinho de beb\u00e9 e carrega os seus pertences numa pesada mochila \u00e0s costas. J\u00e1 percorreu mais de 300 milhas em 22 dias para chegar a Bacuramanga, uma cidade fronteiri\u00e7a colombiana onde a equipa da ADRA a contactou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parece muito, mas o seu percurso est\u00e1 longe de ter terminado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 frente de Glendys est\u00e3o os Andes, uma cadeia de montanhas com um pico de mais de 11.000 p\u00e9s. \u00c9 um caminho perigoso, com temperaturas negativas, quedas de pedras e longos trechos sem acesso a comida ou \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 o \u00fanico caminho para casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Glendys sabe muito bem que a vida que conheceu em tempos n\u00e3o estar\u00e1 \u00e0 sua espera. Cada passo leva-a de volta a casa, onde enterrou o seu primeiro filho. Para casa, onde os cuidados de sa\u00fade prec\u00e1rios, a alimenta\u00e7\u00e3o inadequada e a falta de oportunidades a levaram a partir.<\/p>\n\n\n\n<p>De volta a casa, onde as coisas est\u00e3o piores do que quando ela partiu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a jovem m\u00e3e est\u00e1 determinada a ver os seus familiares, provavelmente pela \u00faltima vez. O rosto do seu beb\u00e9 recorda-lhe cada vez mais o filho que perdeu, pelo que espera que a visita a conven\u00e7a de que a sua dif\u00edcil decis\u00e3o de partir foi a mais acertada para eles.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os riscos naturais n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos com que Glendys e o grupo que encontrou para viajar se deparam. Dormir na rua com lonas e casacos exp\u00f5e-nos a pessoas dispostas a aproveitar-se deles. T\u00eam dormido \u00e0 vez, mas mesmo assim a comida tem-lhes sido roubada.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de manter o seu filho em seguran\u00e7a \u00e9 tudo o que move Glendys agora. Depois da sua visita \u00e0 Venezuela, ela partir\u00e1 novamente e encontrar\u00e1 um novo lar onde o seu beb\u00e9 ter\u00e1 um futuro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Masha e Glendys s\u00e3o mulheres extraordin\u00e1rias, mas s\u00e3o apenas 2 dos milh\u00f5es de m\u00e3es que t\u00eam hist\u00f3rias como estas.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ADRA tem servido indiv\u00edduos e fam\u00edlias deslocados em todo o mundo desde os nossos primeiros dias e estamos muito gratos pela sua ajuda. Juntos, continuaremos a prestar assist\u00eancia urgente e a fornecer recursos essenciais \u00e0queles que tiveram de fugir das suas casas em todos os cantos do mundo.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ADRA tem a b\u00ean\u00e7\u00e3o de conhecer m\u00e3es fant\u00e1sticas no nosso trabalho todos os dias. 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