{"id":23195,"date":"2022-01-31T23:15:51","date_gmt":"2022-01-31T23:15:51","guid":{"rendered":"https:\/\/adra.org\/?p=23195"},"modified":"2026-03-19T19:04:08","modified_gmt":"2026-03-19T19:04:08","slug":"girl-talk","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adra.org\/pt\/girl-talk","title":{"rendered":"Capacita\u00e7\u00e3o de mulheres em todo o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Uma pergunta que recebemos de tempos a tempos \u00e9 porque \u00e9 que tendemos a destacar a experi\u00eancia das raparigas no trabalho que fazemos. Ser\u00e1 que a ADRA pensa que as raparigas s\u00e3o mais importantes do que todas as outras pessoas afectadas pela pobreza e pela crise?<\/p>\n\n\n\n<p>O nosso trabalho d\u00e1 prioridade \u00e0s necessidades mais urgentes, independentemente do g\u00e9nero ou de qualquer outro fator. A pobreza \u00e9 uma quest\u00e3o global multidimensional. Quanto melhor compreendermos a causa de todos os factores que contribuem para esta crise em qualquer escala, mais bem equipados estaremos, enquanto seres humanos, para nos ajudarmos a elevar e equipar uns aos outros. Destacamos as experi\u00eancias injustas que as raparigas de todo o mundo enfrentam porque a injusti\u00e7a continua a ser uma realidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ADRA tem um lema poderoso: <em>Justi\u00e7a. Compaix\u00e3o. Amor. <\/em>O amor pode estar no fim da lista, mas \u00e9 a for\u00e7a motriz de tudo o que fazemos. Foi-nos dito para amarmos o nosso pr\u00f3ximo e, atrav\u00e9s desse ato de amor, podemos transformar a forma como nos entendemos uns aos outros para criar uma forma de pensar mais profunda e baseada no amor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas podem nem sequer se aperceber dos aspectos da vida de uma rapariga que s\u00e3o afectados por desafios \u00fanicos e pela falta de sensibiliza\u00e7\u00e3o. Eis apenas alguns a considerar:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A sua seguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que, em tempos de crise, a viol\u00eancia contra as mulheres e as raparigas aumenta, e \u00e9 mais prov\u00e1vel que uma rapariga corra mais riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo nas actividades quotidianas, uma rapariga enfrenta m\u00faltiplos riscos pelo simples facto de existir. Por exemplo, em muitas partes do mundo, \u00e9 frequentemente uma rapariga que \u00e9 respons\u00e1vel por ir buscar \u00e1gua para a sua fam\u00edlia. Isto pode significar caminhar uma longa dist\u00e2ncia num ambiente onde outros podem reconhecer uma oportunidade para causar danos.<\/p>\n\n\n\n<p>Do mesmo modo, quando uma rapariga cresce num lugar onde o saneamento significa ir \u00e0 floresta para ir \u00e0 casa de banho, as necessidades di\u00e1rias n\u00e3o lhe s\u00e3o acess\u00edveis num ambiente seguro. A viol\u00eancia sexual n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico risco para a sua seguran\u00e7a, mas, de acordo com a UNICEF, 1 em cada 20 raparigas entre os 15 e os 19 anos j\u00e1 foi v\u00edtima de sexo for\u00e7ado. S\u00e3o 13 milh\u00f5es de raparigas!<\/p>\n\n\n\n<p>Outro risco que provavelmente conhece bem \u00e9 o tr\u00e1fico de seres humanos, que amea\u00e7a milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo. Poder\u00e1 surpreend\u00ea-lo o facto de as crian\u00e7as serem frequentemente colocadas nas m\u00e3os dos traficantes pelas suas pr\u00f3prias fam\u00edlias. Uma fam\u00edlia em dificuldades \u00e9 o alvo perfeito para um criminoso que promete oportunidades lucrativas para o seu filho e menos uma boca para alimentar a fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 frequentemente o caso das raparigas que acabam por entrar no abrigo Keep Girls Safe da ADRA na Tail\u00e2ndia. Estas jovens n\u00e3o podem oferecer muito para ajudar a sustentar as suas fam\u00edlias e correm o risco extremo de serem mandadas embora para um \u201cemprego\u201d numa cidade longe de casa. Para al\u00e9m de proporcionar seguran\u00e7a e educa\u00e7\u00e3o \u00e0s raparigas, a equipa da ADRA na Tail\u00e2ndia tamb\u00e9m educa as fam\u00edlias e as comunidades sobre os verdadeiros riscos do tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O seu corpo<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a mais tenra idade, uma rapariga \u00e9 frequentemente pensada em termos do que o seu corpo pode ou n\u00e3o pode fazer. Para ser franco, o corpo de uma rapariga pode ser objetivado, debatido e controlado pela sua fam\u00edlia e comunidade, para n\u00e3o falar do mundo em geral, enquanto <em>ela <\/em>as necessidades reais podem ser deixadas de fora da conversa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos falar de alguns dos riscos extremos que uma rapariga pode enfrentar, como ser m\u00e3e numa idade jovem ou a mutila\u00e7\u00e3o genital feminina (MGF), mas, para colocar isto num contexto ainda mais simples, quantos de n\u00f3s crescemos a falar abertamente sobre a menstrua\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As gera\u00e7\u00f5es mais novas est\u00e3o certamente a melhorar neste dom\u00ednio, mas uma experi\u00eancia natural que cerca de metade das pessoas neste planeta viver\u00e3o durante a maior parte das suas vidas ainda \u00e9 considerada tabu em muitos c\u00edrculos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A abordagem da menstrua\u00e7\u00e3o como um \u201cproblema de raparigas\u201d faz com que as raparigas n\u00e3o recebam o apoio de que necessitam e faz com que sintam vergonha do seu corpo natural. Os problemas das raparigas deviam ser um problema de todos!<\/p>\n\n\n\n<p>No Uganda, onde a ADRA trabalha muito com refugiados, a nossa equipa falou com raparigas refugiadas adolescentes que n\u00e3o tinham material sanit\u00e1rio b\u00e1sico e que tinham recorrido ao trabalho sexual para poderem comprar o que precisavam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ADRA trabalhou rapidamente para colmatar essa lacuna e estabeleceu uma parceria com os Pathfinders na comunidade local para distribuir material sanit\u00e1rio adequado \u00e0s raparigas do campo de refugiados, mas \u00e9 devastador perceber como situa\u00e7\u00f5es como esta poderiam ser facilmente evitadas se as necessidades f\u00edsicas das raparigas fossem discutidas abertamente e lhes fosse dada a devida prioridade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O seu futuro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O futuro j\u00e1 foi decidido para demasiadas raparigas em todo o mundo. A educa\u00e7\u00e3o simplesmente n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o para as raparigas em algumas partes do mundo e elas podem ser as primeiras a perder se as oportunidades forem limitadas. A UNICEF refere que \u201cquase 1 em cada 4 raparigas com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos n\u00e3o frequenta o ensino, o emprego ou a forma\u00e7\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o com 1 em cada 10 rapazes\u201d.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apoiar as raparigas no seu caminho para a educa\u00e7\u00e3o e o emprego depende de muito mais do que o espa\u00e7o dispon\u00edvel numa sala de aula e a vontade de as deixar aprender. As raparigas devem poder aprender em seguran\u00e7a e ter instala\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0s suas necessidades f\u00edsicas, para que n\u00e3o sejam obrigadas a desistir quando come\u00e7am a menstruar.<\/p>\n\n\n\n<p>O casamento infantil tamb\u00e9m continua a ser um obst\u00e1culo a um futuro pr\u00f3spero para uma rapariga. Ela pode ser mais valiosa para a sua fam\u00edlia como noiva, porque se receberem um dote, haver\u00e1 menos uma pessoa para a fam\u00edlia sustentar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tenhamos assistido a progressos na luta contra o casamento infantil, tamb\u00e9m assistimos a retrocessos. Sabia que os efeitos da crise da COVID-19 colocar\u00e3o mais 10 milh\u00f5es de raparigas em risco de se tornarem noivas-crian\u00e7as na pr\u00f3xima d\u00e9cada? &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns anos, no Nepal, conhecemos uma jovem de 18 anos chamada Bhawana que recebeu forma\u00e7\u00e3o da ADRA para se tornar educadora de pares. Ela encontrava-se regularmente com os jovens da sua comunidade rural para apresentar li\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0 idade, bem como para facilitar as conversas e responder a algumas das perguntas dif\u00edceis que as crian\u00e7as e os adolescentes tinham demasiada vergonha de fazer aos adultos das suas vidas (com a total autoriza\u00e7\u00e3o dos pais, claro!)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os jovens eram divididos em grupos por idade, mas os rapazes e as raparigas reuniam-se em conjunto. Na semana da nossa visita, Bhawana estava a falar com um grupo mais jovem sobre a puberdade e a mudan\u00e7a dos seus corpos, tendo depois um debate mais intenso com os adolescentes locais sobre como n\u00e3o se casarem demasiado cedo e certificando-se de que compreendiam a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parece um conceito t\u00e3o simples, mas foi inovador ouvir os jovens falarem t\u00e3o abertamente sobre estes temas. Foi especialmente encorajador ouvir jovens homens falarem respeitosamente sobre as experi\u00eancias que as suas colegas mulheres estavam a enfrentar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 este tipo de compreens\u00e3o partilhada que conduzir\u00e1 as jovens mulheres, n\u00e3o s\u00f3 nesta aldeia nepalesa, mas em comunidades de todo o mundo, a oportunidades que as suas m\u00e3es nunca imaginaram!<\/p>\n\n\n\n<p>As quest\u00f5es de g\u00e9nero variam de pa\u00eds para pa\u00eds e de comunidade para comunidade, mas quanto mais aprendermos e compreendermos as experi\u00eancias injustas que as raparigas enfrentam, mais o nosso di\u00e1logo e as nossas ac\u00e7\u00f5es se podem basear na justi\u00e7a, na compaix\u00e3o e no amor para todos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Fontes:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/protection\/sexual-violence-against-children\">https:\/\/www.unicef.org\/protection\/sexual-violence-against-children<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/gender-equality\">https:\/\/www.unicef.org\/gender-equality<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/data.unicef.org\/resources\/covid-19-a-threat-to-progress-against-child-marriage\/\">https:\/\/data.unicef.org\/resources\/covid-19-a-threat-to-progress-against-child-marriage\/<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pergunta que recebemos de vez em quando \u00e9 por que raz\u00e3o tendemos a destacar a experi\u00eancia das raparigas no trabalho que fazemos.<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":27874,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","footnotes":""},"categories":[615,594],"tags":[773,873,690,1086,754,1020],"class_list":["post-23195","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog","category-education","tag-gender","tag-justice-compassion-love","tag-protection","tag-pseah-protection-from-sexual-exploitation-abuse-and-harassment","tag-safeguarding","tag-womens-empowerment"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23195"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23195\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45631,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23195\/revisions\/45631"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27874"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}