{"id":1312,"date":"2015-02-10T14:53:13","date_gmt":"2015-02-10T14:53:13","guid":{"rendered":"http:\/\/sparkexperience.com\/projects\/adra\/?p=1312"},"modified":"2026-04-07T21:54:41","modified_gmt":"2026-04-07T21:54:41","slug":"seeds-of-hope","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adra.org\/pt\/seeds-of-hope","title":{"rendered":"Sementes de esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<h2>Sementes de Esperan\u00e7a: Nos bastidores com Sanjay<\/h2>\n<p>Em cada p\u00f4r do sol, h\u00e1 um momento em que o mundo se esvazia de toda a fealdade e dor e s\u00f3 restam as cores.  Nesse espa\u00e7o ef\u00e9mero de luz e sombra, o mundo \u00e9 belo.<\/p>\n<p>Depois as cores desvanecem-se, as sombras alongam-se e o momento desaparece.<br \/>No distrito de Adjumani, no norte do Uganda, o contraste entre a dor e a beleza \u00e9 especialmente pungente.  O horizonte absorve o sol vermelho-sangue num panorama emocionante de esplendor primordial e o c\u00e9u noturno torna-se um vasto e c\u00f3smico cavalete.<\/p>\n<p>E, por detr\u00e1s de tudo isto, h\u00e1 uma profunda perda e sofrimento.<\/p>\n<p>Quando a viol\u00eancia irrompeu no Sud\u00e3o do Sul, seguiu-se um \u00eaxodo em massa.  Centenas de milhares de pessoas, a maioria das quais eram mulheres e crian\u00e7as, fugiram apenas com o que podiam carregar.  Na maioria dos casos, n\u00e3o havia tempo para levar mais do que um beb\u00e9 ou uma m\u00e3o-cheia de comida e roupa.  Quando estes refugiados chegaram a Adjumani, o asilo mais a norte do Uganda, estavam sem casa e destitu\u00eddos.<\/p>\n<p>Quando cheguei a Adjumani, pensei que estava preparado para enfrentar os horr\u00edveis resultados da guerra.  Estava enganado.  Por exemplo, nada na minha vida privilegiada me poderia ter preparado para o momento em que Emanuel, um adolescente \u00f3rf\u00e3o do conflito no Sud\u00e3o do Sul, me recebeu na sua pequena cabana.  N\u00e3o foi a falta de bens materiais que me impressionou, mas a falta de pessoas.  Ele estava verdadeira e completamente sozinho.  Toda a tristeza e a fome, as saudades de casa e o t\u00e9dio, o desespero e a apatia - eram coisas que ele tinha de suportar sozinho.<br \/><a href=\"http:\/\/sparkexperience.com\/projects\/adra\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/UGANDA-14-0219.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1279 size-large\" src=\"http:\/\/sparkexperience.com\/projects\/adra\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/UGANDA-14-0219-1024x682.jpg\" alt=\"UGANDA 14-0219\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/a><br \/>A equipa de filmagem e eu caminhamos com Emanuel (de vermelho) e o seu amigo a caminho da sua cabana.<\/p>\n<p>As fotografias e os filmes retratam muitas vezes com exatid\u00e3o o \u00e2mbito e a magnitude dos conflitos, mas nada torna o trauma individual da viol\u00eancia t\u00e3o claro como a intera\u00e7\u00e3o com um sobrevivente \u00f3rf\u00e3o na sua pr\u00f3pria casa solit\u00e1ria.  As paredes nuas, a cama empoeirada e o cobertor roto falam da perda mais alto do que qualquer filme.<\/p>\n<p>Tragicamente, Emanuel n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico a sofrer esta perda.  Em todo o lado h\u00e1 hist\u00f3rias semelhantes de crian\u00e7as que lutam pela sobreviv\u00eancia, muitas vezes sozinhas.<\/p>\n<p>Por isso, foi ainda mais chocante quando, alguns dias mais tarde, a equipa de filmagem da ADRA e eu encontr\u00e1mos multid\u00f5es de crian\u00e7as felizes a desfilar pelas ruas.  Vestiam cores vivas, formavam grupos militares e come\u00e7avam a cantar e a dan\u00e7ar por capricho.  O caos alegre era composto, em partes iguais, por crian\u00e7as locais e crian\u00e7as refugiadas, que se misturavam como colegas de escola num recreio.  De facto, gra\u00e7as \u00e0 generosidade dos ugandeses, muitos deles s\u00e3o mesmo colegas de escola.<br \/><a href=\"http:\/\/sparkexperience.com\/projects\/adra\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/UGANDA-14-0318-e1428073087128.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1281 size-large\" src=\"http:\/\/sparkexperience.com\/projects\/adra\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/UGANDA-14-0318-e1428073087128-682x1024.jpg\" alt=\"UGANDA 14-0318\" width=\"640\" height=\"960\" \/><\/a><br \/>Crian\u00e7as de uma escola local celebram o Dia da Independ\u00eancia do Uganda. \u201c\u00c9 o dia da Independ\u00eancia!\u201d, gritou-nos algu\u00e9m.<\/p>\n<p>E com isso fomos levados pela mar\u00e9 de riso e energia. M\u00e3os tontas agarraram as minhas e eu fui engolida pela dan\u00e7a voraz.  Os tambores ecoavam pelo campo e batiam ao mesmo tempo que o meu cora\u00e7\u00e3o, e senti que o sofrimento n\u00e3o \u00e9 absoluto quando ainda h\u00e1 esperan\u00e7a.  Lembrei-me de algo que o Emanuel tinha dito no dia anterior: \u201cAs pessoas podem esquecer-se de n\u00f3s, mas Deus nunca se esquecer\u00e1.  Em Deus, h\u00e1 esperan\u00e7a\u201d.\u201d<br \/><a href=\"http:\/\/sparkexperience.com\/projects\/adra\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/UGANDA-14-0300.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1280 size-large\" src=\"http:\/\/sparkexperience.com\/projects\/adra\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/UGANDA-14-0300-1024x682.jpg\" alt=\"UGANDA 14-0300\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/a><br \/>Crian\u00e7as em idade escolar preparam-se para marchar at\u00e9 \u00e0 cidade para as celebra\u00e7\u00f5es do Dia da Independ\u00eancia do Uganda.<\/p>\n<p>E embora haja dor aqui, e a feia realidade de lares desfeitos, crian\u00e7as abandonadas e pobreza, tamb\u00e9m h\u00e1 beleza. N\u00e3o apenas do tipo temporal que \u00e9 pintado no c\u00e9u todas as noites, mas do tipo que vive no esp\u00edrito, que nasce da esperan\u00e7a, que passa de pais para filhos e se infiltra no tecido da comunidade, no tecido do mundo.<br \/><a href=\"http:\/\/sparkexperience.com\/projects\/adra\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/UGANDA-14-0368.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1282 size-large\" src=\"http:\/\/sparkexperience.com\/projects\/adra\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/UGANDA-14-0368-1024x682.jpg\" alt=\"UGANDA 14-0368\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/a><br \/>A equipa e eu filmamos e aprendemos mais sobre as fam\u00edlias de refugiados do Sud\u00e3o do Sul no Uganda.<\/p>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um momento em cada p\u00f4r do sol em que o mundo se esvazia de toda a fealdade e dor e s\u00f3 restam cores.\u00a0<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":1315,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_eb_attr":"","footnotes":""},"categories":[785,590,825],"tags":[873,690,355,1063],"class_list":["post-1312","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-africa","category-emergency","category-uganda","tag-justice-compassion-love","tag-protection","tag-refugees","tag-war"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1312"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1312\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47332,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1312\/revisions\/47332"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adra.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}